terça-feira, 3 de junho de 2008

Josenei, o "aceitador" de Jesus

Para as Igrejas Evangélicas, realizar viagens missionárias é algo bem comum, não causa nenhuma reação de surpresa quando uma viagem a algum interior é programada pela Igreja, nem por parte dos membros e também nem por parte de Josenei.

Josenei é um típico morador do interior, oriundo da cidade de Jardim de Brejinhos, um município do Rio Grande do Nordeste. Pelo ponto de vista de Josenei, as viagens missionárias tem outro propósito bem diferente do que proclamar as boas-novas de Jesus.

São oito horas da manhã e Josenei se prepara para a tão esperada feira da cidade, tinha o desejo de encontrar alguma novidade na bancas de aparelhos para fogões, limpadores de pia e outras bugingangas que se encontram em tais feiras. Tendo saído de sua simplória casa, dá de cara com um ônibus barulhento e agitado, se ouvia sons de vários tipos de instrumento, basicamente de percussão, sendo tocados em meios a gritos de "Aleluia" e "Glória a Deus" como também de "Jesus é bom". E isso só poderia significa uma coisa: Os crentes chegaram na cidade.

Jardim de Brejinhos não era uma cidade muito movimentada, sempre se via as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas todos os dias, entretanto, essa monotonia era quebrada em período de eleições, quando alguém da cidade morria, mas principalmente, quando era visitada pelos crentes vindos das várias partes do Estado. Josenei simplesmente adorava essas novidades: nas eleições, ficava na sombra de uma árvore com a camisa do candidato vestida em si, nos funerais, se via Josenei junto com os parentes na cerimônia de enterro, ahhh... mas quando os crentes chegavam... era a novidade que ele mais gostava de participar.

Josenei se dirigiu logo para o centro da cidade, com sorte, a Igreja visitante possuia uma bandinha, como os crentes chamavam, "umas mulhé que sabe tocá um forró, num sabe?" era o que ele dizia, pois a tal bandinha ali ficava para entoar hinos em louvor a Deus. Quando as irmãs chegaram no centro da cidade, lá estava Josenei, escorado em sua bicicleta Caloi vermelha, vestindo uma chinela velha, camisa desabotoada, uma calça que era de seu pai e um boné verde que fazia propaganda de Aluísio Alves.

Depois dos hinos, o pregador oficial da congregação Romildo Conceição apregoou a palavra de Deus e isso era tão comum para o nosso protagonista que já sabia todas as referências bíblicas de cor, no momento do convite, lá estava Josenei aceitando a Jesus como Senhor e Salvador. Seu dia, na verdade, começava alí.

Ao término das atividades iniciais naquela cidade, A congregação visitante se foi para a escola que foi cedida para a sua acomodação, na medida que os irmãos chegavam famintos do trabalho, o almoço era servido com amor e carinho aqueles que, sendo mais espertos, chegaram primeiro na fila. Poucas pessoas notaram a presença do mais "novo convertido" da cidade entre eles e além do mais, ninguém pode reclamar disso, quem iria reclamar de um novo convertido que estava em meio a Igreja, seria insensato fazer tal ato.

Josenei simplesmente adorava tudo isso, conhecer pessoas novas das mais diversas formas e tamanhos, qualquer cara nova que ele via era uma grande novidade para ele, cansado estava de sempre ver as mesmas pessoas e fazer as mesmas coisas todos os dias, eis que mais uma vez ele via os crentes na sua cidade. Ele até cria em tudo que falavam, ficava até impactado pelas palavras dos homens e mulheres inspirados pelo Espírito Santo, ele já aceitou a Jesus tantas vezes mas em nenhuma entregou o seu coração verdadeiramente para Jesus, porque se porventura se tornasse crente e fizesse tudo o que os crentes fizessem, tudo viraria mais uma rotina na sua vida. Não é isso o que acontece com os Filhos de Deus, todo dia é uma novidade com as bençãos de Deus, mas era assim que Josenei pensava.

Após o tempo do devido descanso, a Igreja se preparava para mais um multirão evangelístico, o pastor Maurício Emanuel regeu a oração que nos apresentaria para o trabalho, ao sair da escola, O novo convertido acompanhou sileciosamente um grupo do qual teve simpatia especial, foram eles que o chamou para almoçar na mesa deles e participar de uma conversa agradável a respeitos das experiências que tiveram nas casas em que visitaram. Para todo canto que eles iam
, lá estava Josenei e sua antiga bicicleta Caloi. Até teve uma casa que Josenei participou da pregação ao confirmar que uma conversão de um de seus amigos acontecera pela manhã, pois o dono da casa não acreditava que alguém tão irresponsável poderia se comprometer em ser crente.

No período da noite, alguns irmãos já ajeitavam as cadeiras de plástico e a plataforma improvisada na carga de uma caminhonete no centro do povoado, pouco a pouco os que restavam se dirigiam para seus lugares, logo após de um bom banho e uma satisfatória e quente sopa. Só não podia faltar Josenei, que também se arrumou para a ocasião, com um coração apertado, já sentia saudades do que vivera naquele dia. Ao início do culto, três jovens louvaram a Deus os os hinos 300, 224 e 15 da harpa cristã, um irmão que estava ao lado de Josenei se ofereceu para compartilhar a leitura com sua harpa, mas Josenei recusou a oferta com um acanhado "não", próprio daqueles homens do interior do estado. Quanto mais o culto se desemvolvia, mais a saudade apertava no peito de Josenei, a sua saudade não era motivada por sentir falta de alguem que com fizera amizade, ou pela pregação inspirada da missionária Lídhia, cuja pregação estava acontecendo no momento que essas coisas tocavam seu coração.

Mas tudo o que fez hoje, foi motivado pela novidade que aquela Igreja trazia para a cidade e para a sua vida, pelo ao menos por uma dia, o seu tempo não estava dividido entre acordar, trabalhar, comer e dormir, naquela dia tudo era diferente. Ao término do culto, Josenei foi o último a sair, queria ver aquele ônibus grande e barulhento deixar a sua cidade e deixar a esperança de que um dia voltará, para a alegria de Josenei que ansiosamente esperava pela próxima Igreja que visitaria a sua cidade e mudaria, pelo ao menos um dia, de sua vida.

Um comentário:

ane disse...

Lenine...
gostei muito dessa "história"...
muito interesante, mas que história é essa?
"congregação Romildo conceição,
pregadora Lídhia?????"
mas nada é impossível, se for da vontade de DEUS!Mas "CONGREGAÇÃO ROMILDO?... Acho isso muito doido... kkkk...
Que DEUS te ABENÇOE!